terça-feira, 21 de novembro de 2017

Reflexão milenar

Mil aves, amigos!

Oito anos (que parecem mil!) tentando registrar o maior número possível de espécies, foi realmente mil!

Mil maneiras de ser feliz, costuma-se dizer. No meu caso literalmente. Com o bacurau-do-são-francisco, uma das espécies mais difíceis de fotografar (há somente três fotos no Wikiaves, nenhuma reveladora, segue o link da página do bicho http://www.wikiaves.com.br/bacurau-do-sao-francisco), fecho esse ciclo que muito provavelmente não se repetirá (simplesmente porque as espécies brasileiras se contam na casa de um milhar).

Atravessando o Velho Chico com o irmão Wagner Nogueira para tentar registrar Nyctiprogne vielliardi
Registro realizado graças à expertise do grande Wagner Nogueira


Os felizardos iniciados na arte de passarinhar entendem muito bem o que quero dizer. Desbravar esse imenso e ainda rico país atrás de novas espécies realmente aflora sentimentos inenarráveis, pelo menos pra mim, afeito mais à prosa que ao verso. Mas felicidade seria uma boa e simples definição, a resumir o misto de emoções que parece nos antever o paraíso.

E quantos paraísos nosso país ainda possui...














"Ave amigos", título sugerido pela doce Clarinha, veio muito bem a calhar mesmo, pois como todas as grandes realizações humanas são feitas através do necessário concurso de pessoas que amam o que fazem, deixo aqui também a minha enorme gratidão a todos os amigos, guias e passarinheiros, que me ajudaram nessa escalada. E, claro, à minha família que sempre suportou minha ausência.


Não tenho fotos de todos, mas tenho gratidão, ave amigos!

Quis o destino que minha milésima espécie fosse registrada na minha terra, nas minhas Gerais, e ainda com "o cara", um dos maiores ornitólogos do Brasil, meu irmão Wagner Nogueira. E realmente foi coisa do destino, porque recentemente viajei com o amigo Clezio Kleske ao estado de São Paulo faltando só seis espécies para as mil, nada difícil pois ainda tenho uma boa quantidade de lifers praquelas bandas, mas o foco dessa viagem foi qualitativo e acabei voltando com 999 espécies! (confesso que quando resolvi fazer essa viagem acreditava que a milésima espécie seria o tauató-pintado)

É isso caros amigos leitores, acho que todos que chegaram até aqui são unânimes em descobrir que essa atividade transcende, e muito, a simples caçada de lifers.

Na busca por novas espécies, acabamos conhecendo as diversas culturas do incrível povo brasileiro, as diversas riquezas de nosso incrível país e lamentavelmente vemos o quão poderíamos estar melhores caso nossos governantes não fossem incrivelmente gananciosos.

Bem, mas esse blog não é sobre política, é sobre natureza, então me perdoem o desabafo!

Voltando ao nosso sofrido e querido país, não tem como não se apaixonar por ele. Seu povo simples e acolhedor, sua comida boa, sua natureza exuberante! Continuarei a fascinante caçada aos lifers, assim tudo começou, mas agora quase como pretexto para continuar conhecendo e desfrutando das dádivas recebidas por essa abençoada "terra brasilis".


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